Aproxima-se aquele período pelo qual ansiamos quase um ano inteiro. O período de férias!
Há quem fique em casa, apenas descansando e há aqueles que vão esgotar energias para um lado qualquer. Com a crise em crescendo, cada vez mais são os que optam, como se tivessem alternativa, por umas férias em casa.
Mas, considero eu que o fundamental, neste período de pausa, é mesmo o relaxar, o fazer um “reset” ao corpo e à cabeça, recuperar energias, preparando-nos para um novo ciclo de trabalho que se avizinha. Não sou apologista de aproveitar as férias para esgotar as energias fisicamente, levando ao limite as nossas parcas forças depois de quase um ano de trabalho. Talvez que, por isso, os meus desejos de férias não passam por algo mais que poder dormir até à hora que o corpo decidir acordar, comer na hora que tenho fome, não olhar para o relógio, não receber emails nem ter o computador por perto, deitar-me na hora que tenho sono e, ocupar o tempo em algo fútil como passear a pé, fazer fotografia, conhecer locais sóbrios e isolados, tudo ao sabor dos minutos do dia solar. Se pudesse, deixava o telemóvel, o computador, até o GPS , em casa, colocava uma mochila às costas e partia sem destino, apenas parando para comprar um bilhete para um local qualquer, escolhido no sabor do momento. Sempre gostei do “sem destino”, ao sabor do acaso, num improviso constante. Porque, prazos concertados, objectivos traçados, caminhos específicos, tudo demasiado organizado, já fazem parte dos restantes dias do ano. Abomino as férias estruturadas, seguidas num guião preconcebido, vendido à medida da carteira do cliente. A oferta de mil e uma actividades que não faríamos se não nos propusessem experimentar. Férias são, para mim, o conceito de nos desprendermos das obrigações e deixarmo-nos vaguear ao ritmo da imaginação, do improviso, do acaso.
Apesar da idade, continuam a fascinar-me os relatos de aventureiros que, apenas providos do mínimo necessário à sobrevivência, partem ao desconhecido, sempre acreditando na sorte e na capacidade de sobrevivência. Fascinam-me os que correm mundo numa caminhada pedestre, vivendo os momentos e as culturas dos locais por onde passam. Fascinam-me os que partem para terras longínquas com o espírito de aventura num bolso e o de solidariedade no outro. Fascinam-me aqueles que decidem arriscar por desertos ou montanhas. Fascinam-me os que cruzam os caminhos menos desbravados, não pelo estrelato ou pelo reconhecimento mas pelo prazer de descobrir, de conhecer. Tudo isto me fascina do mesmo modo que abomino uma estada num hotel qualquer de muitas estrelas onde tudo nos é colocado na mão, em função daquilo que o cliente está disposto a pagar. Abomino o ter de pagar para pensarem por mim, para me criarem o meu divertimento que nada me diverte. É tudo uma questão de economia e de interesse comercial. Dirão alguns que, se todos pensassem como eu, ainda estávamos a alugar cavernas para férias.
E eu pergunto se não seríamos muito mais felizes, menos deprimidos, menos ociosos e mais voluntariosos…
Mas, isto não se faz numas férias. Isto seria um modo de vida, uma forma de estar perante o mundo e a sociedade.
Então, as férias, devem ser apenas uma pequena mostra daquilo que gostaríamos de poder fazer todos os dias do ano, o momento em que libertamos o nosso EU, desprendendo-nos das obrigações e vicissitudes diárias.
E, todos os anos sonho com aquelas férias básicas, apenas descanso, fugir da cidade, sem horários, na pacatez de uma aldeia escondida no meio de uma serra, com apenas uma estrada que conduza a nenhures, onde a água ainda nasça nas nascentes, onde se ouçam os pássaros pela manhã, onde ainda se acorde ao cheiro da lenha a arder para aquecer a água para o banho a tomar numa celha de madeira, onde o pão tem dias mas sabe bem, o leite ainda vem directo da vaca e, podermos abrir as janelas e inspirarmos aquele ar perfumado e fresco da manhã, de vestirmos uns calções apressadamente e calcorrearmos as veredas de pé posto que nos levam pela serra abaixo até ao açude do rio, passar o dia vendo os pequenos peixes passando entre os nosso dedos ao mesmo tempo que vemos as ovelhas a virem beber ao rio…
Isso sim, eram férias… as férias que tenho saudades, de quando era pequeno e as passava com os meus avós, sem horários, sem perigos mais que os "lobos" ou os cães das quintas que andavam à solta, ou cair pelos penhascos abaixo, em que chegávamos a casa tarde, arranhados das silvas, cansados e corados mas, sobretudo, felizes…
E, quando regressávamos à cidade, no fim das férias, tínhamos uma mão cheia de histórias para contar…
E, passados quarenta e tal anos, ainda hoje recordo algumas dessas histórias… e a saudade desses tempos, passados por aqui...
Juncais- Largo da Fonte
Algodres- Pelourinho
(As fotos foram retiradas da internet...)
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